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A cólera e os seus desafios.
O MPLA perante o desafio das eleições.
Vende-se um idiota.
A oferta de SamaKuva e o pacto dos maninhos.
“Trabalhar para vencer”

Arquivo 2008
Maio



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A cólera e os seus desafios. ---->


Nesse artigo vou tentar relembrar um outro, que escrevi homenageando a nomeação provisória da nossa querida Governadora (na época vice-Governadora). Quando há meses atrás o ex-Governador Job Capapinha pediu a sua exoneração, ou simplesmente demitiu-se do cargo.

Naquele artigo, eu, como muitas pessoas, manifestaram-se euforicamente, se essa é a palavra correta, por essa nomeação. Euforismo, porque não é segredo para ninguém que vivemos numa sociedade machista onde as mulheres constituem as últimas, e uma minoria ao assumirem cargos públicos. Entre essas pessoas eufóricas estavam nossas quitandeiras e peixeiras.

Ao meu entender esse ato de manifestação não era necessariamente um produto da guerra de sexos que existe em qualquer sociedade; uma guerra entre eles e elas. Mas, sim, vimos nessa nomeação algo a mais que poderia e pode ser adicionado na arte de se administrar e na arte da gestão. Esse algo é indiscutivelmente a sensibilidade feminina de lidar com certos problemas. Não podemos negar nem desprezar isso, não devemos nos esquecer que metade desse mundo é feito delas; metade desse mundo as pertence. Assim, metade dos problemas desse mundo elas têm a dose de responsabilidade que lhes compete enfrentar.

Todos nós estamos preocupados com a cólera. O Presidente da República, a Governadora, os políticos, tanto aqueles que estão no poder como os da oposição, e em pior situação os cidadãos comuns que são as maiores vítimas.

É verdade que existem problemas de saneamento básico a serem resolvidos. Mas o que significa saneamento básico? Sem querer provocar confusão na mentalidade de quem é especialista na área.

Para mim, saneamento básico é todo procedimento, atitude pessoal (individual) ou políticas publicas a serem executadas na prática para melhorar as condições de higiene de uma determinada coletividade: povo, aldeia, sanzala ou até uma mega e problemática cidade como Luanda. Saneamento básico é habito, cultura sobre higiene, e até bons modos que ajudem os cidadãos em geral, e quem quer que seja, a viverem num ambiente muito mais agradável do que aquilo que temos. Saneamento básico é superação dos velhos hábitos, e caducos hábitos de higiene. Saneamento básico é acima de tudo, como não podia faltar, água potável e bem tratada, para nossas crianças, velhos, mulheres e homens; é a evacuação dos esgotos, direcionados e encaminhados em lugares ou reservatórios adequados.

Sejamos curto e grosso, mas sem querer ofender ninguém, e muito menos mexer irresponsavelmente com a sensibilidade das pessoas. A cólera é um fenômeno que existe e se espalha na nossa sociedade, infelizmente. E o combate a ela deve ser atacado por todas as direções, começando pelo saneamento básico e pela cultura ou valores de higiene que a população e o cidadão deve ter.

Não sei o porquê. Mas tenho a impressão, que mesmo sendo angolano, nunca me dei bem com a maneira como se vendem e se compram certos produtos em alguns lugares. Incluindo produtos como gêneros alimentícios.

No artigo anterior que já fizemos menção, tentamos visualizar e mostrar diretamente, a inviabilidade do incentivo dos chamados mercados populares e/ou tradicionais, as chamadas praças. E, ainda, tentamos provar que a criação dos chamados mercados modernos, ou supermercados é totalmente viável, competitivo, higiênico e além de tudo civilizado.

Mostramos ainda que os chamados mercados modernos ou supermercados, podem ir sendo criados com a participação da iniciativa privada. E que o estado ou o sector público teria simplesmente a função de estimular todos aqueles que arriscassem seu talento, desempenho e capital para executar tal empreitada. Mesmo que para isso seja necessário perdoar-se e anistiar temporalmente certos impostos.

Esse tipo de provocação foi avançado naquele artigo, porque na posse, quando ainda era vice-Governadora, nossa Governadora, deu uma entrevista que não agradou a esse grego ou troiano que aqui está. Ou melhor, a esse angolano, mwongolê, que conhece muito bem os hábitos da terra.

Naquela proposta, que pode ser republicada, que fique bem claro, ninguém fez a absurda proposta de acabar com as chamas praças tradicionais. A proposta era e é a de desestimular suas formações e até a existência das que já estão por aí. E se possível manter de maneira reduzida e bem controlada as que já existem, por uma questão tradicional e cultural.

Quem sabe!? Esse constitui um bom problema contemporâneo e um desafio para nossas mulheres: médicas, especialistas em saneamento básico e higiene, biólogas, executivas, mães, avos, estudantes( futuras profissionais); e sobre tudo a nossa linda governadora, até mesmo as governadoras que podem existir por aí. Porque nada impede que outras por aí surjam a ocupar cargos idênticos.

Chamo especial atenção a elas. Porque se costuma dizer que a higiene numa casa passa obrigatoriamente por todos, mas as mulheres são como se fossem as guias condutoras desse processo, que nunca devem ser menos prezados.


Nelo de Carvalho.
 

O MPLA perante o desafio das eleições. ---->


Nos trinta anos de guerra sofrido pelo país não foi possível organizar pleitos eleitorais que permitisse aos angolanos escolherem os seus legítimos representante no poder e no parlamento. Esses motivos, pelo qual não foi possível organizar as eleições, é conhecido por todos angolanos e aqueles que ao longo desses anos acompanharam de perto a situação do país. Apesar de alguns angolanos imbuídos de má fé tentarem escamotear a verdade dos fatos que são mais do que evidente.

O MPLA praticamente dirigiu sozinho porque não teve oportunidade de alternar o poder com outras formações políticas, porque não teve uma oposição digna a altura que soubesse pleitear o poder com o mesmo. Devido aos longos anos de guerra não teve oportunidade de mostrar ao mundo e ao povo angolano suas verdadeiras capacidades de bem governar para o povo e não governar para uma pequena elite como têm acusado seus opositores. Ou melhor, não teve as chances de concretizar o seu programa maior e de fazer com que os angolanos usufruam fato das imensas riquezas que o país tem. Como construir casas para os angolanos, escolas, hospitais, parques de diversões, resolver os problemas sociais dos angolanos e que não são nada poucos.

Os angolanos têm consciência dos esforços que o partido no poder teve que fazer para que alcançássemos a paz. Foi preciso gastos avultados, rios e rios de dinheiro para manter as forças armadas em grande forma, porque as forças inimigas estavam bem armadas.

Durante os tempos de guerra o MPLA formou quase 100mil angolanos, ganhou maturidade governativa, é uma organização política experiente, um partido que conseguiu entrar em sincronia com os desejos de toda a nação. O MPLA consolidou o poder com amadurecimento político, e não a força, como muitos simplesmente sugerem. Ganhou alinhados, soube fazer uma política correta, além de ganhar credibilidade no campo diplomático. E essa credibilidade é o produto de uma política e cultura de saber lidar com as adversidades que o mesmo teve de encarar no seu caminho, na sua história.

Assim, o MPLA, longe de todos os preconceitos e falácias geradas pela nova ordem política e social pós-muro de Berlim, é por mérito um partido que conseguiu transformar-se numa nação. Ou ainda, tem dentro de si a nação angolana, e vice-versa. É no fundo, e por bem da nação, e a contra gosto de muitos por aí, a cultura política desse povo. E é a partir desse status merecedor que o MPLA deve começar a reconstruir a nova nação democrática, de preferência com uma tendência de esquerda. Uma tendência que privilegie o interesse social e a sua ordem, contra o privado e toda ordem indesejável e mesquinha que possa atrapalhar o processo democrático.

É por mérito, o partido-estado, sim! Porque as circunstâncias históricas levaram que o mesmo alcançasse tal nível, mais para bem do que para mal. Porque os anos de conflito e guerra mostraram que só o MPLA tinha condições de dar proteção ao povo, as populações vítimas de toda agressão.

É esse mérito que em Setembro queremos fazer renascer; é essa cultura, em ser do MPLA, que queremos que prevaleça; porque ela constitui um fator de estabilidade para a nação. Para quem vive aqui dentro: Angola!


Nelo de Carvalho
 

Vende-se um idiota. ---->


É elogiável o tipo de pancadaria que existe entre a imprensa angolana e a imprensa portuguesa, é uma verdadeira briga de marido e mulher. Vou fazer o uso desses dois gêneros para caracterizar tanto uns, quanto os outros. De onde os angolanos, de preferência, fanfarrões como sempre, se assumem como homens, e lá na terrinha os vaidosos peninsulares se assumem como verdadeiros profissionais de uma democracia vagabunda. Onde se precisa ser bem prostituto para acreditar-se na mesma. Esses acreditam que podem sair mundo afora ensinar os seus vícios democráticos.

E o que não falta nesse possível ensino, “com a melhor das seduções femininas”, é aluno idiota querendo aprender de tudo, o que até agora nenhuma mestra conseguiu demonstrar. Aluno aplicado, metido dentro de um prostíbulo, é o que não falta. Tem até aquele que definiu democracia como o direito dos 1500 delegados do MPLA divergirem da plataforma desse mesmo partido. Se me faço entender seriam 1500 divergências para enfrentar só uma plataforma. Que concepção de democracia é essa!? É o que eu chamaria do exercício da mente para poder se identificar com as profissionais daquele lugarzinho que já mencionamos.

Parece que Portugal é a terra da Paságarda, aquela “cidade” de prostitutas perdida no tempo e em alguma civilização por aí; que Manuel Bandeira, o poeta brasileiro, transformou em sonho de todos os vagabundos, todos os viajantes transportadores de sífilis e todos os derrotados, e chorões perdidos que uma outra civilização por direito expulsou. Portugal é felizmente a terra dos Soares (Mários e Joãos) gente derrotada que vive perdendo terreno incluindo num vilarejo chamado de Portugal.

Nessa rejeição o que sobrou é o lava louça daqui e para lá. “É idiotas p(a)ra aqui é idiotas p(a)ra lá”. Essa é a maneira mais elegante possível como aqueles e esses dirigem suas maneiras de se tratarem. Tem artigo de jornal que o sujeito usa mais de dez vezes a palavra idiota. A idiotice, nesse mundo, onde só cabem portugueses e angolanos, é a maneira mais elegante que uns encontraram para poderem fazer contato com os outros.

E é um contato que na verdade transformou-se numa espécie de masoquismo para um dos lados (não vou mencionar qual dos lados, afinal de contas não é fácil encarar a revolta de um país inteiro de prostitutas, ou de homens cedento dessas) . O contato em si é como aquele fantasma que se apodera do seu corpo -se brincar-, apodera-se da sua alma. Vira uma espécie de identidade macabra. Que quanto mais você pensa em se livrar do mesmo você descobre, de maneira surpreendente, a impossibilidade de tal fato ser afastado e como conseqüência ser eliminado ou anulado. É um ato de possessão que acaba com a independência, com a autonomia de qualquer entidade que clama pelo seu direito de suspirar. Parece que alguns portugueses não conseguem se livrar da derrota, e o pior, livrar-se de alguns angolanos. Será porque esses são machões, robustos e negrões ou simplesmente porque são opositores ou, ainda, porque pertencem ao partido no poder?

Nessa história toda, a verdade é que os nossos primos lá na península falam da democracia e tratam a mesma como se ela fosse a mulher mais barata. O pior é que eles identificam-se com ela. Os portugueses falam dela como se fossem umas verdadeiras menininhas (termo usado pela minha filha para tratar os transvestidos sexuais). Tratam a mesma como se fosse uma prostituta barata, uma rameira, esperando a todos em Paságarda. Emitam-na.

Assim, de vez enquanto aparecem os verdadeiros idiotas, revelados como intelectuais. Uns não tanto, mas conseguem o que querem pela sua capacidade narcisista de agir. Assim, Paságarda, a cidade que engole de tudo, com o maior dos pecados, consegue ser ouvido de escritores que em suas vidas só conhecem o ódio e a raiva.

É lá em Paságarda onde tudo se vende, até músicos fanfarrões e aproveitadores; políticos desesperados e queixosos no maior dos atos servilistas em busca de apoio.

Para mim, são esses os verdadeiros idiotas, além de serem uns verdadeiros prostitutos!


Nelo de Carvalho
 

A oferta de SamaKuva e o pacto dos maninhos. ---->


Samakuva é tão pobre de espírito que se limita a oferecer um pacto, quando se sabe que no passado todos os pactos que faziam violavam o mesmo na manhã seguinte. Perguntem a Jonas Malheiro Savimbi, se estiver por aí, quantos pactos o mesmo fez com o MPLA e quantos violou. A Unita fez tantos pactos durante sua existência que o único que cumpriu foi aquele pacto de traição, um acordo ou ajuda com a África do Sul, para que os racistas invadissem o nosso país. O Pacto com o Diabo! Esse pacto para a UNITA sim deu certo.

A Unita, por sinal, é boa em fazer pactos.Tão boa que o galo negro, possivelmente, um dia transforme-se em um pato, um pato negro. Mas vai ser difícil ver patos negros por aí. O que significa dizer que homens como Samakuva estão em extinção, pela sua capacidade de fingimento e sua incapacidade de lidar com a verdade. A falta de memória é um bom instrumento para limitar qualquer profissão, principalmente a de político; a falta de memória, deveria saber SamaKuva, que é um bom motivo para se levar uma surra nas urnas; a falta de seriedade mostra o infantilismo de quem sonha ser presidente e brinca com a mentalidade das pessoas como se o mesmo fosse uma criança. É tanta a infantilidade e a falta de memória, que até parece que estamos lidando com uma criança, que num momento pode dizer –quando eu crescer vou ser engenheiro e no momento subseqüente diz, que vai ser piloto de avião.

Que uma coisa fique bem clara, não é de pacto que precisamos, muito menos para sabermos quem vai nos governar. A solução da futura governação virá das urnas, não haverá pactos de nenhum tipo. Assim, de maneira civilizada e elegante, preparem-se para reconhecer a derrota nas urnas. Preparem-se para continuar na oposição, pelo menos enquanto você(s) viver(em), Senhor Samakuva; prepare-se além de tudo para fazer uma oposição à altura como exige os bons princípios e modos. Para fazer oposição, que é a missão que esse povo lhe tem entregue como missão a ser cumprida – e repito-, missão a ser cumprida enquanto o(s) senhor(es) estiver(em) vivo(s). Um pacto a essa altura para salvar quem de quê? A UNITA teve todos os pactos que a vida lhe ofereceu, agora o que tem e deve fazer é rezar para ver se conseguem sobre viver num futuro.

Já que se sente o salvador da pátria (Senhor Samakuva), o messias designado por Jonas Savimbi, prepare-se no mínimo para contrariar este. E ajudar que esse povo possa educar-se nos bons princípios e valores da democracia: de que quando uns perdem nas urnas, não é sinônimo de se perder a postura e a dignidade. Coisa que hoje é cara e difícil de se encontrar entre os bons políticos.

O papel que o povo angolano designou a pessoas do seu tipo, é que no mínimo o Senhor seja um perdedor exemplar. Um perdedor exemplar que não viva em função de fazer bravatas, de bater a língua entre os dentes, de não saber distinguir o que é verdade e o que é mentira. Sinceramente, senhor SamaKuva, existem pessoas que não conseguem, nem ler, nem escutar os seus efêmeros discursos, o senhor deveria trocar de referências literária. Seus discursos parecem extratos extraídos da bíblia.

A mentira e a falta de seriedade (coisa que a bíblia condena) pode ser caracterizada como um ato anti-social, um desrespeito às pessoas que nos rodeiam. E costuma-se dizer que o anti-social é aquele que não sente culpa dos atos bárbaros que comete. O Senhor no mínimo, em respeito a vida humana, deveria sentir culpas por tudo o que a UNITA andou fazendo. Deveria aproveitar as chances, sendo o homem da nova direção da Unita, tentar no mínimo limpar a imagem dessa nova direção que sempre esteve caracterizada pela imagem do sujeito cínico e bruto que sempre caracterizou Jonas Savimbi.

Como angolano atento que sou, e por certo bem informado, vai ser difícil produzir ou simplesmente propor mudanças; quando se insiste em carregar aquele peso acima mencionado. A propósito, não é um simples peso, é uma praga e espero que o senhor, assim como todos aqueles que te rodeiam consigam livrar-se do mesmo.

Vai ser difícil provocar mudança quando se tem um projeto ambicioso, daqueles que vitoriosamente vêem governando esse país a trinta anos, de se gerar mais de um milhão de empregos em quatro anos, construir-se mais de um milhão de vivendas, 500 mil só nas regiões rurais. De se construir e executar projetos de educação que facilite que em cada uma das 18 províncias tenha a sua instituição de nível superior.

Em política chega a ser normal, para quem está na oposição, o não reconhecimento do trabalho, às vezes árduo, de quem está em frente das políticas públicas. Sendo ou não igual para toda raça de políticos, o que foi dito, no caso dos homens do galo negro, que agora tentam transvestir-se em patos, tem um agravante: A inexperiência, a atitude vingativa de se pensar que têm os mesmos diretos de estarem de frente ao erário, de maneira livre para pagar suas contas e compromissos do passado (coisa que um cidadão lúcido jamais aceitaria); assim como saciar sua infinita fome, cede e cobiça diante daquilo que é público. Vossos projetos de melhorias sociais e de tais mudanças anunciadas são todos falsos e sem argumentos de sustentação. É a prática da mentira de maneira mais descarada e sem constrangimento de nenhum tipo; da maneira mais anti-siocial possível; é o exercício da mentira sem culpa -sem nenhuma culpa!

Se considerarmos que, segundo economistas e sociólogos, a elaboração de um programa de governo por qualquer partido que seja, ou até mesmo governo, leva no mínimo, nada mais e nada menos um ano para ser concebido. E mesmo assim seria com grandes dificuldades, já que para isso é necessário que se façam todo tipo de pesquisas, incluídas de campos. E é preciso recursos para se elaborar essas pesquisas. Assim um plano de governo não se monta de um dia para outro e muito menos se anuncia de tal forma por um partido inexperiente como a dos maninhos. A não ser que façam da própria inexperiência o motivo para enganar o cidadão.

Um plano de governo oferecido por qualquer partido político na oposição é uma espécie de pré-orçamento virtual que a rigor deve incluir todas as políticas sociais durante os quatros anos ou cinco do futuro governo e isso leva tempo para ser concebido. Sem contar que é preciso de gente especializada para conceber o mesmo, muito bem especializada, gente com experiência em diferentes áreas. A pergunta é: quando a UNITA teve tempo de elaborar esse plano econômico de governo? Quais são os especialistas que participaram no mesmos, quantos, que tipo de pesquisa de campo foi feito? Assim nossos irmãos kwachas, mais uma vez, na voz do seu presidente, estão mentindo.

A arte da traição confundi-se, agora, com a arte da mentira. Como nas boas democracias ocidentais!


Nelo de Carvalho
 

“Trabalhar para vencer” ---->


Esse é o novo lema, que caracteriza a fase em que o país está atravessando. É talvez o melhor momento na história do país; o momento em que projetos individuais, para os mais visionários, e projetos coletivos (quer em forma de associações ou sociedades) podem vingar e definir ao longo prazo o destino das futuras gerações, de nossos filhos e netos. Nunca na história do país chegou-se a tal grau de otimismo, caracterizado pela abertura econômica e política, mas sem se esquecer que existem problemas a serem resolvidos.

O consenso para muitos é de que o país está, simplesmente, ao mesmo compasso dos eventos mundiais no que diz respeito aos crescimentos de várias economias. Primeiro: se for verdade ou não, nada impede o nosso direito de nação, assim como daqueles que estão na condução da mesma, de tirar proveito desses ventos. E devemos considerar como êxito as atitudes tomadas. Sugerir a idéia de que qualquer país pode crescer tão facilmente, já que as condições internacionais são propícias para isso, não é tão verdade assim. Nossa visão sobre essa alegação é corroborada pelo fato de a maior economia mundial estar em crise, um fator importante que pode atrapalhar aquilo que muitos vêem como a causa fundamental de nossa “sorte”. E nenhuma economia no mundo, que eu saiba, cresce só baseado em bons fatos oferecido pela ordem internacional econômica, é preciso mais do que isso.

Nossa economia cresce, primeiro porque estamos atravessando um período de paz, sabiamente conquistado pelo povo, pela nação e bem conduzido pelo partido no poder. Coisa que sempre se disse, reclamou-se tantas vezes por isso; de que a guerra era um instrumento que infernizava o bem estar e a felicidade de toda a sociedade angolana.

A política de reconciliação nacional fulminada em todas direções pelos governantes do país é uma outra e grande causa desse progresso de reconstrução nacional. Onde agora o teorema em tempos de paz é trabalhar para vencer. E não é para menos. O país levantou-se, eliminando aquilo que obstaculizava o seu direito de caminhar; a marcha, pelo que vemos, é irreversível; o país cresce em frente e para cima.

Por outro lado, em vez de essa visão que nos caracteriza como preguiçosos ou aproveitadores de carona (boleia), por que não lidar com uma outra perspectiva, ou seja, enaltecer o nosso papel nesse mundo. Com a paz, sem dúvidas, Angola tem contribuído igualmente com a felicidade de outras nações e povos, e exemplos não faltam. Angola é, por exemplo, ironicamente, o país que mais tem contribuído com o crescimento do PIB português nos últimos anos. O superávit da balança comercial brasileira, assim como as chances de muitos brasileiros driblarem a eterna recessão que o Brasil sofreu durante os últimos vinte anos, não podem sorrir sem mostrar seus lindos dentes a um país chamado Angola, apesar de o comercio entre os dois países ainda ser pouco. E cruelmente a concepção brasileira de chegar ao primeiro mundo como potência econômica passa longe da colaboração com países subdesenvolvidos como Angola.

Sem negar, claro, os problemas que existem. Diante de tantos, entre eles o da corrupção. É, agora, o que tem se tornado um verdadeiro problema social a ser combatido. Assim, o MPLA, o partido no poder, mas uma vez, saiu-se à frente, dando o seu toque de bola. Na voz do seu presidente o desafio ao combate à corrupção está lançado, não só para aqueles que fazem parte da máquina governamental, e muito menos para quem representa o partido no poder.

Perante a essa iniciativa é preciso enxergar que o combate à corrupção é tarefa apartidária, imparcial, que exige esforço da sociedade; mas o exemplo, em sua grande maioria, deve vir sempre de cima. E quando falamos de cima nos referimos a todos, sem cair em redundância, até aqueles que vivem criticando e fazendo oposição, sem a mais mínima visão de que tudo na vida se precisam de grandes idéias e propostas. E exemplos que evitem, como por exemplo, que os fundos públicos destinados aos partidos políticos sejam desviados para outras finalidades, que não sejam meramente para contribuir no fortalecimento da democracia.

Além disso, depois de tantos anos de guerra, a própria miséria gerada por esse fenômeno contribuiu na formação de hábitos e valores que ajudassem a disseminação da corrupção, onde ser probo e exemplar para muitos era tido como um sonho ilusório. Assim, o combate à corrupção ultrapassa os limites legais, os limites da jurisprudência; é acima de tudo uma questão de princípios. E entre eles o da moralidade.

É aqui onde a moralidade deve ser a guia ou bússola da postura do gestor público, daqueles que estão à frente da organização do estado, sem, claro, de nenhuma maneira menos prezarmos os rigores da lei ou a norma.

Nelo de Carvalho.
 
 
 
 
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